quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Inveja e pena
A mulher me olha furiosa na fila do restaurante por quilo e dispara: "Que inveja!" Aquilo atravessa o ar como um raio e crava no meu peito! Eu até me afastei um pouquinho... No instante seguinte estou tentando descobrir o que causou tanta comoção. Comparo meu estrogonofe com o peixe dela e não entendo. Só quando presto atenção na minha colherada de arroz versus as muitas colheradas dela é que me dou conta. Digo, tentando ser gentil: "Ah! A quantidade!"E ela diz, mais cortante ainda: "É! Olha o seu prato!" Ainda tento consertar e digo: "Mas você tem muita salada aí..." E escapo pra uma mesa bem longe dela. Fico pensando que ninguém nunca deveria dizer uma coisa dessas. Ela encheu o prato porque quis. Não foi uma questão de sorte eu ter um prato menor. Se inveja fosse justificável, só seria quando se invejasse a sorte de alguém. Fiquei o dia todo com aquela sensação horrível que a frase me causou. Acho que tem dois sentimentos no mundo que a gente não deveria ter: inveja e pena. Compaixão é muito diferente de pena, leva a uma ação concreta de ajuda. E no caso da inveja, acho que o positivo seria olhar alguém bem sucedido e pensar: "O que será que ele faz, que eu posso fazer também? Se deu certo pra ele, pode dar pra mim." De qualquer maneira, desejo que a mulher ache dentro dela uma certa disciplina e pare de invejar os pratinhos dos outros...
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